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REPRODUÇÃO, HÁBITOS ALIMENTARES, ABRIGOS E EPIDEMIOLOGIA
 
REPRODUÇÃO
A maioria das espécies produz apenas um filhote por gestação e, neste caso, a fêmea apresenta um par de mamas e o filhote é relativamente grande (cerca de 25% do peso da mãe). Algumas espécies podem ter mais de um filhote por gestação e, dentre elas, algumas podem ter dois pares de mamas com o número de filhotes variando entre dois e cinco. Quanto maior o numero de indivíduos gerados, menor o tamanho de cada um deles. Os padrões reprodutivos das espécies morcegos que ocorrem na América tropical (neotropicais) podem ser resumidos em quatro: a) Monoestria sazonal - as espécies têm um período de atividade sexual restrito e se reproduzem apenas uma vez durante o ano. Ex: Noctilio albiventris, Histiotus velatus e Molossops temminckii temminckii. b) Poliestria sazonal - as espécies têm dois períodos preferenciais de reprodução durante o ano, com gravidez em rápida sucessão e tipicamente, produzem dois filhotes anualmente. Ex: Artibeus lituratus, A. jamaicensis, Sturnira lilium, Glossophaga soricina, Platyrrhinus lineatus e P. helleri. c) Período reprodutivo longo durante o ano, com um curto período de inatividade sexual - as fêmeas podem produzir até três filhotes durante um longo período do ano. Ex: Myotis nigricans. d) Atividade reprodutiva durante todo o ano - quando a espécie se reproduz continuamente. Fêmeas coletadas em uma mesma época apresentam-se em diferentes estágios de gestação. Ex: Desmodus rotundus.
HÁBITOS ALIMENTARES E IMPORTÂNCIA ECOLÓGICA
Frugivoria => hábito alimentar decorrente do consumo de frutos Os morcegos frugívoros são indispensáveis colaboradores nos processos de dispersão de sementes (chiropterocoria). Nectarivoria e Polinivoria => dieta à base de pólen, néctar e/ou partes florais Os nectarívoros-polinívoros exercem importante papel de polinizadores (chiropterofilia) e, considerando que algumas flores só se abrem durante a noite, os morcegos se tornam muito importantes para a reprodução dessas espécies. As espécies brasileiras de morcegos polinizadores estão incluídas na família Phyllostomidae (subfamílias: Phyllostominae e Glossophaginae). Insetivoria =>hábito definido pelo consumo de insetos As espécies de morcegos insetívoros, os mais abundantes de toda quiropterofauna, fazem o controle da população de insetos noturnos, contribuindo, desse modo, para que não haja uma superpopulação de lepidópteros (mariposas), coleópteros (besouros), dípteros (mosquitos), entre outros, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais. Representantes de Molossidae e Vespertilionidae são muito comuns em áreas urbanas e/ou antropizadas, de um modo geral. A maioria das espécies de Chiroptera é insetívora e inclui representantes de todas as famílias que ocorrem no Brasil. Carnivoria => típico de animais predadores Boa parte da alimentação de morcegos carnívoros é constituída de pequenos roedores, e, neste caso, os morcegos colaboram com o controle populacional desse grupo, considerado importante reservatório das principais zoonoses, tanto em áreas rurais como urbanas. Este hábito alimentar inclui dietas diferenciadas, que podem ser compostas também por anfíbios, peixes e, até mesmo, morcegos. Hematofagia (ou Sanguivoria) => ocorre em animais que se alimentam exclusivamente de sangue Os Morcegos vampiros são representados por apenas três espécies e estas só ocorrem na América Latina (Sul do México ao Norte da Argentina).
ABRIGOS
Os morcegos apresentam grande diversificação em respeito da utilização de abrigos. Podem ser classificados como: Livres: permanecem suspensos e pendem livremente. De contato: permanecem com a região ventral em contato direto com o substrato. Fitófilos: apresentam relacionamento com vegetais. Litófilos: apresentam relacionamento com rochas ou subsolo. Antropófilos: apresentam preferência por abrigos localizados nas habitações humanas ou em suas proximidades. Naturais internos: são constituídos por cavernas, grutas, ocos de árvores, fendas entre rochas ou sob rochas, buracos em cupinzeiros e alguns tipos de folhas enroladas quando novas (como folhas de bananeiras). Naturais externos: constituem-se de copas de árvores além de entradas de cavernas. Artificiais internos: forros e lajes de casas, túneis, casas abandonadas na Zona rural, etc. Artificiais externos: beirais de casas ou outras edificações e debaixo de pontes.
EPIDEMIOLOGIA E OUTRAS CONSIDERAÇÕES
Ao abordar os problemas ecológicos relacionados com os morcegos não se podem excluir alguns aspectos negativos do grupo, que apresentam implicações de ordem social, econômica e médico-sanitária. Esses animais podem ser disseminadores de várias doenças, entre elas destacam-se a raiva e a histoplasmose. Raiva: é uma zoonose definida como uma forma aguda e letal de encefalite que, acomete exclusivamente espécies de mamíferos. Esta doença é provocada por um vírus de RNA, em forma de projétil da família Rhabdoviridae, gênero Lyssavirus. O vírus penetra no organismo por meio de ferimentos resultantes de mordeduras ou arranhões de um animal infectado (saliva contaminada). Nos morcegos não está limitada às espécies hematófagas ou sanguívoras. Histoplasmose: constitui um tipo de micose sistêmica e a infecção se dá pela inalação de propágulos (esporos) fúngicos em suspensão no ambiente contaminado. O agente patogênico desta micose é o fungo Histoplasma capsulatum, que cresce no acúmulo de fezes de aves e morcegos, em lugares onde as condições ambientais são favoráveis para o seu desenvolvimento. A forma mais grave da histoplasmose é a pulmonar. Mediante o diagnóstico e/ou tratamento tardio ou errôneo, esta doença pode ser letal, Quando não, deixa no organismo muitas seqüelas, como tubérculos na(s) área(s) atingida(s) dos pulmões
CONSERVAÇÃO
No Brasil constam 69 espécies de mamíferos inclusas na lista de ameaçadas, das quais 18 enquadradas como Criticamente em Perigo, 11 em perigo e 40 na categoria Vulneráveis. Das 40 espécies categorizadas como Vulneráveis cinco são de Chiroptera. Este número é considerado um valor subestimado, tendo em vista a grande diversidade de espécies de morcegos no Brasil. Os estudos em Chiroptera no Brasil encontram-se ainda, em muitas localidades, em fases preliminares e contam com um número ainda pequeno de profissionais qualificados. Este fato somado a carência de políticas bem embasadas de conservação pode levar ao desconhecimento do número real da diversidade de espécies de regiões como Amazônia e Pantanal. Por esses, entre outros motivos, os morcegos não devem ser mortos indiscriminadamente. Os morcegos, assim como qualquer outro animal, não atacam senão para alimentar-se (carnívoros ou hematófagos); eles apenas se defendem e, a grande maioria dos acidentes com seres humanos é meramente acidental.
 
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Eliane C. Vicente | Fone: (17) 9134-3224 e-mail: elianevicente@morcegosbrasileiros.com.br
 
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